quarta-feira, novembro 22, 2006

Cancioneiro do Sado - Jornal Pedro Nunes: V Parte

Vale do Sado a norte de Alcácer

Palmeira na aldeia de Santa Susana, Alcácer do Sal

Capela das 11 000 Virgens. Convento de S. António. Alcácer do Sal


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Jornal nº 126, 27 de Dezembro de 1908

A minha adorada
Já se foi deitar,
Não tinha sapatos
Para vir dançar!


Trazia uns chinellos
Sem solas nem saltos!
Para vir dançar
Não tinha sapatos


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Jornal nº 127, 3 de Janeiro de 1909

Eu subi ao alto
A´meia ladeira,
P´ra ver o meu bem
Que andava na eira!


Ainda depois
Subi mais alem,
Que andava na eira
P´ra ver o meu bem.


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Jornal nº 128, 10 de Janeiro de 1909

O´meu qu´rido amor
Só tu, ninguém mais,
Tiveste a dita
D´ouvir os meus ais.


Alem de não teres
Figura bonita,
D´ouvir os meus ais
Tivestes a dita.


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Jornal nº 129, 17 de Janeiro de 1909

O´meu lindo amor
Só tu, mais ninguém,
Me tira a paixão
Que a minh´alma tem.


De te ver meu bem
E´grande alegrão,
Que a minh´alma tem
E me tira a paixão.


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Jornal nº 130, 24 de Janeiro de 1909

Venho de tão longe
Patinhando poças,
Venho só á fama
De tão lindas moças.


Não disse nem digo
Quem aqui me chama,
De tão lindas moças
Venho só á fama.


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Jornal nº 131, 31 de Janeiro de 1909

Fui ao verde campo
P´ra ver um amigo,
Que encontro tão lindo
Eu tive comtigo.


Ao ver-te meu bem
Alegre e sorrindo,
Eu tive comtigo
Um encontro lindo.


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Jornal nº 132, 7 de Fevereiro de 1909

Toma lá amor
Que te manda a prima,
Um lenço d´abraços
Com beijos em cima.


Acceita meu bem,
Envolve em teus laços,
Com beijos em cima
Um lenço d´abraços.


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Jornal nº 133, 14 de Fevereiro de 1909

Assim pequenina
Como um cascabulho,
Eu sou a que faço
Nos bailes barulho.


Quando o tocador
Não toca a compasso,
Nos bailes barulho
Sou eu que o faço.


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Jornal nº 135, 28 de Fevereiro de 1909

O meu pae não quer
Que eu fale comtigo,
Fazemos-lh´o gosto
Fala tu commigo.


E não há por isso
O menor desgosto,
Fala tu commigo
Fazemos-lh o gosto


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Jornal nº 136, 7 de Março de 1909

A minha rival
E´um escarapão;
Tem nariz de bicha
Testa de Furão.


Arrebita o rabo
Como a lagartixa.
Testa de furão,
E nariz de bicha.


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Jornal nº 137, 14 de Março de 1909

´Inda que meu pae
Na rua te ponha,
Amor finge ter
Cara sem vergonha.


Nunca dês ouvidos,
Ao que elle disser,
Cara sem vergonha
Amor finge ter.


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Jornal nº 138, 21 de Março de 1909

Conta-me o motivo
Da tua paixão,
Pode ser que eu traga
Remédio na mão.


E´d´algum rival
Com certeza praga,
Remédio na mão
Pode ser que eu traga.

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