quarta-feira, novembro 22, 2006

O Cancioneiro do Sado - Jornal Pedro Nunes: IV Parte

Vale da Marafona/Ribeira de S. martinho e ao longe a Serra de Palma

Fonte tradicional na povoação de Palma/Alcácer do Sal. Encontra-se fora de um vasto recinto de alvenaria, que no século XVI defenia um jardim ao gosto da época.


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Jornal nº 115, 11 de Outubro de 1908

Quando eu não tinha
Desejava ter,
Uma hora no dia.


Meu bem p´ra te ver.
Agora já tenho
Com muita alegria,
Meu bem p´ra te ver
Uma hora no dia.


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Jornal nº 116, 18 de Outubro de 1908

O meu lindo amor
Ficou d´aqui vir,
Deitou-se na cama
Deixou-se dormir.


Como qu´ria ser
Cantador de fama,
Deixou-se dormir
Deitou-se na cama.


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Jornal nº 117, 25 de Outubro de 1908

Cantador de fama
Deita-te a dormir,
Quem te cá mandou
Mais valia vir.


A´s tuas cantigas
Valor nenhum dou,
Mais valia vir
Quem te cá mandou.


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Jornal nº 118, 1 de Novembro de 1908

Se o meu lindo amor
Viesse aqui ter,
Uma missa ás almas
Mandava dizer.


P´ra ver o meu bem
Coberto de palmas,
Mandava dizer
Uma missa às almas.


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Jornal nº 119, 8 de Novembro de 1908

Passas-me pela porta
Uma vez e outra,
E nada me dizes
O´cara marota!


Eu sei que tu gosas
Momentos felizes
O ´cara marota,
E nada me dizes!


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Jornal nº 120, 15 de Novembro de 1908

Mais vale um ganhão
Sem manta nem nada,
Que vale um «dandy»
De bota engraxada.


O´meu lindo amor
Pergunto-te a ti,
De bota engraxada
Que vale um «dandy»?


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Jornal nº 121, 22 de Novembro de 1908

O´moças não queiram
Casar com ganhões, (1)
O seu ganho não chega
P´r´os nossos botões.


Até ao domingo
Nem vão p´ra a adega.
P´r´os nossos botões
O seu ganho não chega!

1 – Creados de lavoura a quem os lavradores do Sado não chegam a pagar 200 réis por dia!...


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Jornal nº 122, 29 de Novembro de 1908

Assenta-te amor
Conchega-te a mim,
N´esta cadeirinha
De pau d´alecrim.


Comtigo assentado
Me julgo rainha
De pau d´alecrim
N´esta cadeirinha.


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Jornal nº 123, 6 de Dezembro de 1908

Assenta-te amor
Aqui a meu lado,
N´esta cadeirinha
De pau encarnado.


Não tenhas receio
Porque é muito minha,
De pau encarnado
Esta cadeirinha.

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Jornal nº 124, 13 de Dezembro de 1908

Minha querida mãe
Tudo sei fazer,
Menos namorar
Nem quero aprender!...


No rol dos honrados
Me vou collocar,
E tudo aprender
Menos namorar.


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Jornal nº 125, 20 de Dezembro de 1908

Vim eu de tão longe
P´ra te ver querida,
Por ti me arrisquei
A perder a vida.


Por muitos caminhos
P´rigosos andei.
A perder a vida
Por ti me arrisquei.

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